8) Mad Men e o Movimento Interrompido


A série Mad Men é excelente não só por seu roteiro, direção, fotografia e atores impecáveis, mas porque ela não mente, mesmo falando de ilusão. E, principalmente, porque ela não exige de nenhuma personagem outra coisa senão ela mesma.

A gente assiste filmes nos quais os protagonistas mudam no final, graças aos desafios. Suspiramos aliviados como se estivéssemos agradecendo uma oração que pedia um milagre. Aí a vida de verdade vem e a gente não muda! Nem fazendo meditação há mais de 30 anos.

Em Mad Men é assim também: todos ficam iguais ao que já tinham em potência no início. Isso é genial, porque não julga as personagens e não as quer diferentes, mas como são. A vida também não quer isso, afinal? Que a gente não mude e sim cresça naquilo que somos? Como então poderíamos criticar alguém ou a nós mesmos?

Não! Não devemos parar de tentar melhorar! Não é isso. Nem as personagens da série deixaram de fazer esforços para melhorar. Só não precisamos ser diferentes. Pensei que a série era uma denúncia feminista disfarçada. E é! Embora no início o estômago embrulhe ao ver mulheres massacradas. Quem assistir Mad Men vai desejar o feminismo mais do que tudo, mesmo que o roteiro esplêndido nunca o mencione, a não ser como nos conduz a agradecer por sua existência!

Pensei que a séria contaria o enfadonho confronto de um publicitário incrível, bonitão e mulherengo com a sua vida de aparências e criação de verdades perigosas até para saúde. E é isso também! Mas é brilhante o subtexto da eterna procura por algo essencial que lhe foi tirado desde o nascimento.

O mesmo que nos faz comprar desenfreadamente. E gira milhões num mundo para poucos. Don Draper encarna um vazio que está em todos nós. Isso está na nossa cara durante as 7 temporadas na Netflix. E tudo isso se manteve! Nada foi descartado para que encontrassem a redenção sendo pessoas que não sabiam que eram. E o que recai sobre eles só os fortalece naquilo que são.

Mad Men fala da mentira jogando a verdade na nossa cara, e nem por isso deixa de ser uma das melhores ficções que já assisti! Ninguém cai de uma janela (num #pesadelo) sem acordar para realidade num grito.

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PS: Movimento Interrompido é um trauma na infância, onde paramos  e rodamos em círculo, sem conseguir dar mais um passo na direção de quem  realmente falta. 

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